Há algum tempo, histórias que antes eram só de animes e mangás tem virado filmes com atores reais, os chamados live-action. Tendo sido um grande sucesso na época de seu lançamento em 2001 (2004 para o anime), Bleach não escapou e em julho de 2018 a versão de carne e osso estreou nos cinemas japoneses e do mundo. O filme foi dirigido por Shinsuke Sato (Gantz) e roteirizado por Daisuke Habara (Gegege no Kitaro). O autor do mangá é o Tite Kubo.

A história conta os primeiros arcos do mangá e anime, com o desvendamento do motivo da morte da mãe do protagonista, um colegial chamado Ichigo Kurosaki, interpretado por Sota Fukushi (Kamen Rider Fourze), que é capaz de ver fantasmas desde criança. Rukia (Hana SugisakiBlade of the Immortal) é uma ceifadora que vai atrás de espíritos que estejam causando problemas e acaba acidentalmente esbarrando em Ichigo. Quando um espírito poderoso aparece, ela precisa emprestar seus poderes para Ichigo para derrotá-lo e proteger seus amigos. Com isso, ela fica sem seus poderes e precisa passar um tempo no nosso plano físico até que arrume um jeito de recuperá-los. Enquanto isso, seus irmãos ceifadores Renji (Taichi SaotomeZatoichi) e Byakuya (MiyaviKong, A Ilha da Caveira e famoso cantor de J-Rock) vão atrás dela e de Ichigo para um acerto de contas.

Adaptar histórias de mangás sempre são um desafio e não são todos que conseguem bem. Mas Bleach conseguiu? Sim. Tem um ou outro furo de roteiro, mas a história flui com cenas amarradas e bem adaptadas. O visual dos personagens foi levado em conta até pelo autor do mangá, Tite Kubo, que estava preocupado que o cabelo laranja neon do protagonista fosse parecer estranhos em uma pessoa japonesa. Esse detalhe em específico foi contornado com um tom de ruivo comumente visto nos jovens. Entre os ceifadores, o visual diferente foi mantido, exceto na Rukia, que aparece com um cabelo liso simples.

Para quem conhece a história original, não vai ter surpresas, pois o filme a segue direitinho, com as necessárias adaptações para o cinema. Ainda assim, ele te faz prestar atenção do começo ao fim, e até se emocionar. A história do protagonista Ichigo é bem explorada até onde o andamento da mesma permite. Você consegue enxergar as motivações dele para querer lutar, seja por ele mesmo ou pelos outros. Porém, o que pode soar meio esquisito são os efeitos de luta. Os espíritos (chamados de Hollow na trama) obviamente são computação gráfica e foram bem feitos, mas algumas lutas, ao tentar imitar a movimentação que o anime traz, ficaram meio artificiais, mas compreensíveis, já que é um filme de fantasia. Fora isso, os efeitos convencem bem. E para quem gosta de filme de desastres, tem até uma palhinha disso na luta final, pois o Hollow causa perturbações no ar levando destruição por onde passa, dando a impressão de que é um tornado para quem não o vê.

O produtor executivo Hiroyoshi Koiwai (trilogia Samurai X) chegou a comentar, antes da estreia, que o filme pode ser continuado e virar uma trilogia, dependendo do sucesso que ele obtivesse. E como está bem feito e recebendo críticas positivas, possivelmente veremos isso acontecer. A única coisa garantida é que tem muita história para ser contada.

Bleach foi produzido pelo Cine Bazar, distribuído no Brasil pelo serviço de streaming Netflix e estreou no próprio no dia 14 de setembro de 2018.

 

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Trailer: