O que dizer de Capitã Marvel? Além de ser a primeira trama solo de uma heroína da Marvel que traz muita representatividade e empoderamento, o filme já começa tocando os nossos corações com uma linda homenagem a Stan Lee na animação da logomarca da empresa! Grandes emoções aos primeiros minutos da obra! E fica cada vez melhor!

[contém spoilers]

Ambientado em 1990, entre “Capitão América: O primeiro Vingador” (filme de 2011 que se passa em 1945) e Homem de Ferro (filme de 2008 que se passa em 2010), Capitã Marvel veio para quebrar paradigmas, encantar as mulheres e mostrar que seguir os instintos e não as ordens é o que nos torna humanos.

Carol Danvers (Brie Larson), ou apenas Vers, quando a conhecemos nos primeiros momentos, tornou-se híbrida de humanos e Krees a partir de uma explosão radioativa de um super motor cujo núcleo continha o poder de uma das joias do infinito: o Tesseract. Perto do grande fechamento de uma grande quantidade de filmes que construíram todo um universo nos cinemas, nos deparamos novamente com primeira joia do infinito. Um acidente que a tornou muito mais do que ela já era, porém, ela já possuía poderes muito valiosos dentro dela, como a persistência em fazer o que acredita e em ser uma das poucas mulheres a se tornar piloto na força aérea americana em uma época em que mulheres não atuavam em combate.

Vamos aproveitar para fazer uma rápida linha do tempo do Tesseract:

-Foi a 1ª Joia do Infinito a aparecer no UCM (Universo Cinematográfico da Marvel) em Capitão América 1, encontrada na Terra pelo Caveira Vermelha durante a 2ª Guerra Mundial.

-Indício de que antes de ir para Terra encontrava-se em posse de Odin, em Asgard.

-Steve Rogers ao bater o avião nas geleiras do oceano, com o Tesseract a bordo, foi congelado.

-Na década de 90, a Drª Lawson Mar-Vell, que no filme é uma mulher e nos quadrinhos um homem, escondeu a joia em seu laboratório que estava orbitando a Terra, reencontrado por Carol Danvers.

-Ainda nos anos 90, após os eventos de Capitã Marvel, o Tesseract encontra-se no escritório de Fury, na S.H.I.E.L.D.

-O Tesseract é visto por Tony Howars Stark, em anotações do pai em Homem de Ferro 1 e na cena pós-crédito em Thor 1.

-O Tesseract aparece em Vingadores 1, nas instalações de estudos científicos secretos, onde vemos Fury e Carol indo em busca de informações do projeto Pegasus.

-Pegasus foi o projeto que transformou Steve Rogers no supersoldado Capitão América com a injeção do soro financiado por Howard Stark.

-O Tesseract volta a aparece em Thor 3. A joia estava na sala de tesouros de Odin, em Asgard.

-Em Vingadores: Guerra Infinita reaparece já nas mãos de Loki e Thanos.

Voltando à protagonista, Carol escuta o que os outros tem a dizer, ela busca entender sem julgar, se coloca no lugar do outro, independente de qual planeta ou raça pertence. Sutilmente nos deparamos com algumas das nuances da experiência de viver sendo uma mulher e toda complexidade que esta experiência no universo proporciona.

A própria escolha da atriz é alinhada com essas questões. Brie é ativista em movimentos feministas e super empenhada em realmente ajudar a tornar o mundo melhor, como vestir a camisa em lutas contra assédio, defesa de vítimas de estupro e luta por igualdade e salários entre todos os profissionais. Se ela já é uma “mulherona do caramba” na vida real, com o manto da Capitã Marvel ela se torna uma inspiração ainda mais forte para todos, mas especialmente para meninas e mulheres! Isso que nem mencionei o Oscar de Melhor Atriz super merecido que ela ganhou por um papel denso em “O Quarto de Jack”, que é assunto para outro post.

Carol é uma pessoa que aprecia e prefere atividades consideradas mais masculinas, como esportes e kart. O filme traz muitos flashes de momentos de sua infância e crescimento em diversos momentos dentro destas atividades, em que ela é o tempo todo desencorajada a fazer o que quer, mas que claro, ela persiste! Sempre! Um dos momentos mais emocionantes do filme é quando aparecem todas as suas quedas – assim como todas as vezes que ela se levantou do chão ainda mais forte e pronta para tentar de novo.

Em vários momentos, Carol é estimulada a reprimir suas emoções (ah homens machistas que sempre acham que só a razão traz respostas!). A questão é que grande parte das emoções de Carol são frutos de sua intuição, dons, sentimentos, lembranças, e de forma nenhuma… defeitos. Aprender a entender as emoções, e não reprimi-las ou boicotá-las é outra mensagens sensacional e forte deste filme. Gente, quantas coisas maravilhosas este longa nos traz para refletir!

A temática casa com um artigo que li recentemente de Wilson Pereira Figueredo, do site O Segredo, confiram no seguinte link.

“Somos um corpo energético, cada molécula do corpo humano na verdade é uma vibração de energia. O átomo quando muda o seu estado, está absorvendo e emitindo frequências eletromagnéticas. Hoje já se sabe que diferentes estados de emoção, percepção e sentimentos resultam em diferentes frequências eletromagnéticas. Reclamar da vida e dos outros, causa insatisfação geral e cria um campo magnético na mesma frequência, atraindo pessoas e situações que trazem mais insatisfação e desconforto. Assim trabalha o universo, pois traz em retorno aquilo que emitimos.”.

Alinhar pensamento/reação com sentimento/emoção é a chave para as decisões. Não é um ou outro, é o conjunto! E neste filme o assunto é demonstrado como uma alerta a não aceitar barreiras que podem ser colocadas à nossa frente querendo manipular o nosso lado psicológico.

E ainda traz a beleza da importância da amizade e apoio entre mulheres, como na declaração da amiga Maria Rambeau (Lashana Lynch) no momento de confusão e dúvida de Carol sobre quem ela é, que diz algo mais ou menos assim: “Você é a mulher mais corajosa que eu conheço e me apoiou a ser mão e piloto ao mesmo tempo, quando poucos que apoiaram”. A força que este carinho desperta em Carol é incrível. E claro, porque não mencionar a importância da capacidade intelectual científica feminina em vez de cair no clichê do corpo da mulher no cinema como simples “acompanhamento”.

Vemos exemplo fortes de grandes mulheres no entretenimento sendo muito Badass, como: Dana Scully em Arquivo X; Katniss Everdeen em Jogos Vorazes; A própria Brie em seu papel em Kong (Confiram Crítica no seguinte Link); todo elenco grandioso de Estrelas Além do Tempo; dentre muitas outras aventureiras e cientistas.

‪Relembrando que, apesar de tudo, ainda é um filme de apresentação de personagem. Neste caso, às vezes, temos um roteiro um tanto simples e não há a total explicação e exploração das demais raças alienígenas envolvidas, assim como da própria Carol com a transformação em heroína quanto sua vida no espaço e na Terra. Porém, a mensagem em si, de empatia, união, sororidade, empodeiramento feminino no trabalho, no dia a dia e consigo mesma, olhar para dentro si alinhando mente com emoções compensa qualquer falha que o filme possa ter em quesitos técnicos. Assuntos extremamente relevantes e importantes, além de muito atuais.

É uma pena que dentro do público masculino, o qual ainda carrega muito do conceito arcaico do que significa ser homem, ainda têm muitos paradigmas e crenças sobre o que é o feminino, o ser mulher, e as demais dificuldades através dos séculos. Ainda é mais difícil para quem sempre foi favorecido entender a sutileza da mensagem trabalhada com a personagem nesta obra e a classificar como ruim. A falta de empatia com o mais puro “ser” do feminino ainda é muito grande.

“Eu não tenho que te provar nada”

Durante décadas, nunca foi fácil ser mulher e simplesmente fazer e gostar do quiser, seja na vida profissional, pessoal e até mesmo familiar. Até o fato de gostar de super-heróis além das heroínas é algo que por muito tempo não era muito relevante, e um exemplo é em relação ao comércio que apenas a pouco anos produzem produtos relacionados especificamente para o público feminino.

Um dos meus heróis favoritos é o Capitão América. Sempre tem aqueles engraçadinhos que comentam “Ai Lulu, é porque o Chris Evans é um ator muito bonito?”. De fato, não dá para negar que o carisma do ator contribui, mas não foi isso que me chamou atenção a primeira vez. Até porque ele vem a se tornar o que é no decorrer da história, e em nenhum momento se vangloria por ter um físico de respeito, mas a gentileza que Steve Rogers carrega e sua preocupação com os seres vivos bem como com o planeta é muito forte. Não importa origem, status, poderes, aparência, ele procura entender o que aquela pessoa é por dentro e busca fazer o que é certo. Vemos claramente em Capitão América: O Primeiro Vingador um exemplo muito positivo de “homem a moda antiga” na forma como ele se relaciona com tudo e todos, pois não podemos também generalizar e condenar todo o público masculino, pois nem todos possuem “mentes pequenas”. Por isso, ele é um dos personagens com o coração mais íntegro possível, na minha opinião.

A dificuldade de entender que somos todos seres humanos e parte de um mesmo planeta ainda deve ser muito trabalhada. Nós, mulheres, temos vontades, sonhos e desejos que podem ser iguais aos dos homens, e daí? Só por causa de uma diferença de gênero precisamos provar algo a mais para podermos seguir em frente com algo? NÃO! Não é preciso provar nada para ninguém, e se quisermos fazer algo que seja certo para nós no nosso coração, temos total direito em fazê-lo. Somente precisamos provar coisas a nós mesmas, promovendo a nossa autoestima, e esta é uma das grandes mensagens que Carol Denvers nos deixa. Vamos tomar o controle de nossas vidas sendo protagonistas de nossas histórias.

Pela relevância da representação desta personagem e as reflexões que traz, a classificação merecida é a nota máxima de 5 cookies! Precisamos de mais heróis, não de armas.