Quem acompanhou o Oscar 2019 no canal TNT pôde conferir algumas vezes o trailer de alguns lançamentos que entrarão em cartaz no cinema em breve, incluindo Godzilla II: Rei dos Monstros previsto para 31/05/2019. Enquanto aguardamos pela estréia podemos conferir a trilogia de animação do rei dos monstros que está disponível na Netflix: Godzilla: Planetas dos Monstros, que pode ser conferido no seguinte linkGodzilla: Cidade no Limiar da Batalha; e Godzilla: O Devorador de Planetas que veio para terminar a história que, aqui no ocidente, é exclusividade do serviço de streaming.

O filme não perde tempo, já que a maioria dos personagens já foram apresentadas nos capítulos anteriores, e rapidamente apresenta uma nova ameaça para o que trata da humanidade! Se Godzilla era um empecilho para recolonização do planeta, agora a situação é diferente: Ghidorah está chegando, pronto para destruir a Terra, e a única esperança é de que o monstro radioativo que dá título à franquia consiga vencer o monstro alienígena vilão. Como quase sempre neste gênero cinematográfico, a batalha em si só acontece próxima ao final e a maior parte do roteiro se foca nos humanos tentando sobreviver ou viabilizar a salvação do planeta. Ainda que pareça pura enrolação, são os momentos com os humanos que criam uma identificação por parte do público que começa a entender e partilhar da angústia e do terror que o monstro gigante traz, e esse é um dos pontos mais fortes do filme.

Para quem não conhece, o vilão é ninguém menos que King Ghidorah, o dragão dourado de três cabeças arqui-inimigo de Godzilla. E desta vez o vilão está medonho, surgindo de um buraco negro, afetando tempo e espaço por onde passa, sendo literalmente intocável. O monstro gigante se encontra acima das leis da física, o que o torna puro terror e desespero, muito bem ilustrado no filme.

 

Godzilla: O Devorador de Planetas é um final grandioso para a trilogia, e parece que os episódios anteriores estavam mesmo preparando o cenário épico do desfecho. Godzilla continua sendo o rei, terrível como inimigo, mas valioso como aliado, ainda que esteja só defendendo seu território sem se importar com a humanidade.

Merece 4 cookies só pelo medo que o vilão nos dá!

 

 

 

ALERTA DE SPOILERS:

Para uma análise mais aprofundada, precisamos abordar pontos da história que são melhor aproveitados como surpresa. Aconselhamos a prosseguir somente após ter conferido o filme.

Após a maior derrota em Godzilla: Cidade no Limiar da Batalha um grupo de soldados se convenceram de que só escaparam com vida por puro milagre e aderiram ao culto alienígena religioso que desde o início acompanhou as missões apoiando as tropas. Entretanto, logo é revelado que todo o tempo ele só queria é angariar fiéis para, através de sacrifícios, invocar o emissário da destruição que sua cultura endeusa. A chegada do monstro é apavorante e nem Godzilla tem chances de vitória. Felizmente o protagonista entende que a solução não é enfrentar a criatura diretamente, mas o responsável pela sua invocação. Somente ao derrotá-lo é que Ghidorah fica suscetível às leis da física, pois já não existe fé o suficiente para sustentar seu status divino.

Ainda que totalmente fantasioso, o roteiro mostra um perigo ao qual todos estamos suscetíveis: crenças tóxicas. Não estamos falando de religião ou coisa do tipo, estas cada indivíduo tem a opção de aderir ou não, mas sim de “verdades” que sempre nos foram ensinadas como absolutas e indiscutíveis, as quais é inadmissível contra-argumentar! Acabamos nos tornando reféns de medos, vícios e maus hábitos como se estas fizessem parte natural da vida.

Podemos citar a crendice de que tomar chuva causa resfriado: cientificamente sem sentido, pois o vírus da doença não se manifesta pela simples ação do mau tempo. Contudo, muita gente foi condicionada a acreditar nisso, e basta que um pouco de água caia do céu para que o corpo abaixe sua resistência a ponto de contrair um resfriado. Não foi a chuva que trouxe a doença, foi a crença de que isso aconteceria.

Claro, todo mundo tem o direito de não querer sair na chuva ou acreditar no que quiser, mas cada escolha tem seu preço – que pode ser pequeno ou não. Da mesma forma não temos o direito de julgar as escolhas das outras pessoas, mas podemos revisar nossas próprias crenças – culturais, espirituais ou científicas. Cada dia um mundo novo de opções se abre para cada um de nós! Velhos hábitos tornam-se obsoletos, novas verdades são descobertas e a ciência avança se desmentindo a todo momento. E não precisamos que um dragão de três cabeças apareça para tomarmos alguma ação, nem esperar que um monstro radioativo seja nossa salvação. Podemos superar limites e vencer criaturas que a sociedade nos ensinou a temer, e ser felizes agora, se acreditamos nisso!