Logan faz parte de uma longa linhagem de filmes da franquia X-Men, distribuída pela 20th Century Fox. Precisamente, é o 10º filme dos mutantes e o 3º dos filmes solos de Wolverine. Apesar disso, não há nenhuma ligação clara com nenhum dos filmes anteriores. Novamente foi estrelado por Hugh Jackman como o personagem Logan, título do filme.

A trama se passa no ano de 2029, momento em que os mutantes estão à beira da extinção, com nenhum novo mutante tendo nascido em 25 anos. James “Logan” Howlett, antigamente conhecido como Wolverine, envelheceu bastante agora que o Adamantium fundido a seus ossos está envenenando-o e impedindo seu fator de cura, deixando seu corpo crescer progressivamente mais fraco a medida que o tempo passa. Seu dia a dia agora se resume a trabalhar como chofer para comprar medicamentos prescritos no Texas, e a cuidar do Professor Charles Xavier (Patrick Stewart – X-Men 1, 2, 3, etc), que sofre de uma doença neurodegenerativa que constantemente o faz perder o controle de suas habilidades telepáticas, causando efeitos devastadores em sua proximidade, em uma fundição abandonada na fronteira do México. Ajudando Logan, ainda há o mutante albino Caliban (Stephen Merchant – Caindo no Mundo), seu antigo conhecido.

Porém, em que pese as tentativas de Logan de se esconder do resto do mundo, ele é encontrado graças ao seu legado, quando Laura (Daphne Keen – da série The Refugees), uma jovem mutante mexicana de 11 anos, lhe é apresentada pela misteriosa enfermeira Gabriela López (Elizabeth Rodriguez), sob a estranha missão de escoltar a garota para um local mais seguro em Dakota do Norte chamado de “Éden”. Contudo, assassinos conseguem interferi-la e assim descobrir a localidade de Logan, que se vê obrigado a aceitar a missão, enquanto exerce a árdua tarefa de cuidar de Xavier.

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Assim como ocorreu com o filme Deadpool, a 20th Century Fox decidiu criar um filme com a classificação R (Rated – similar ao nosso 18 anos). E realmente temos um filme para maiores de 18 anos. Não há cenas de sexo, mas há muito xingamento e violência gráfica, com cortes e sangue ao ponto de revirar o estômago dos mais sensíveis com as cenas violentas jamais exibidas em um filme do Wolverine até então. Pode parecer gratuito dizer que só houve um aumento de violência, mas essa é a essência feroz de Wolverine, o que foi bem transpassado pelo filme. Para convencer o diretor James Mangold dessa alteração de classificação, Hugh Jackman chegou a aceitar cortes no próprio salário.

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O título do filme foi inspirado pela graphic novel de Mark Millar chamada Velho Logan, e foi proposital para fazer oposição ao filme anterior, Wolverine: Imortal, de 2013. Como o personagem está mais velho e cansado de batalhas, acabamos vendo um Logan mais humano. O próprio filme explora o lado mais humano dele, e não foca muito em cenas heróicas. É muito mais profundo no drama e tem muito mais violência, como já dito, o que condiz muito mais com o personagem do que os demais filmes. E Hugh Jackman não decepcionou nessa parte. É possível vê-lo dando o seu melhor e como ele cresceu como Wolverine desde a sua primeira participação em X-Men (2000)Daphne Keen também estava incrível e, mesmo sem dizer uma palavra por quase todo o filme, suas expressões e gritos animalescos diziam tudo que era preciso. Patrick Stewart é um personagem que dá a parte sentimental como o Professor X. Ele precisou perder 10 kg para aparentar um professor frágil e doente fisicamente, e interpretou com louvor um professor com uma mente que, de tão poderosa, tornou-se doente.

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Porém, algumas ressalvas devem ser mencionadas. Nota-se a falta de profundidade de personagens e enredo. Caliban é mal explorado, não passando qualquer empatia ou importância significativa, assim como os assassinos que constantemente estão atrás de Logan, eis que não é apresentada nenhuma ideia motivadora e consistente para justificar suas ações. Cobrem simplesmente a cota de personagens malvados do filme e nada mais. Quanto ao enredo, a sua ideia de criar mutantes como armas é amedrontadora, sendo muito bem explorada pelas calmas páginas das histórias em quadrinho, mas no filme, é apressada demais. Mesmo quando os vilões chegam ao ápice de seu objetivo, que não será revelado para evitar spoilers, seu acontecimento não passa muita surpresa ou envolvimento à trama, ainda que cause os acontecimentos finais.

Os personagens mais desenvolvidos são os três principais: Logan, Professor Xavier e Laura. Dentre esses, Laura é a mais desenvolvida, por ser a única sem filmes anteriores para contextualizá-la, e, ainda que com aparição inédita, é explicada de maneira satisfatória. É um filme um tanto quanto previsível, mas não muito. Talvez você consiga descobrir o final, talvez não. De qualquer modo, se você sempre quis ver um Wolverine mais Wolverine nos cinemas, esse filme é para você. E se você gosta de faroeste, talvez note a inspiração de Logan nesse gênero.

Infelizmente, esse foi o último filme de Hugh Jackman e Patrick Stewart como Wolverine e Professor X, respectivamente. Jackman justificou a saída com sua idade (48 anos, atualmente) e também por estar com câncer de pele. Já Patrick, pelo incrível trabalho exercido pelos personagens nessa trama, pois segundo ele: “não haverá um momento melhor, mais perfeito, sensível e lindo de dizer ‘au revoir’ a Charles Xavier, do que nesse filme”. Além dos atores, o dublador do WolverineIsaac Bardavid também anunciou sua despedida do personagem e foi reverenciado pelo próprio ator em visita ao Brasil para divulgação do filme, como pode-se ver na imagem abaixo, do programa de TV The Noite. O pretexto foi de que, como dublador, ele é tão importante como os atores que encenam o filme. Emocionante!

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A estimativa de gastos de Logan é de 127 milhões de dólares. É uma produção exclusivamente dos EUA, foi filmado lá e tem dois idiomas falados: o inglês e o espanhol, falado principalmente por Laura, que é mexicana.

Estreia no Brasil em 2 de março de 2017, e nos EUA em 3 de março de 2017.
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