Em 1864, o mundo foi agraciado com uma das mais famosas obras de Júlio Verne: Viagem ao centro da Terra! Júlio Verne, este que foi um grande e reconhecido escritor francês, é considerado como o inventor da ficção científica, tendo suas obras traduzidas para mais de 100 idiomas diferentes. Em suas obras os avanços científicos são muito vistos e foram super inovadores para a época, como máquinas voadoras, viagens extraordinárias, submarinos espetaculares e criaturas fantásticas. E em se tratando de Viagem ao centro da Terra um dos pontos altos da obra literária era o encontro dos protagonistas com gigantescos monstros pliocênicos (répteis marinhos do período geológico entre os 5.3 e 1.8 milhões de anos).

Já nos primórdios do cinema tivemos O Mundo Perdido (1925), obra cinematográfica baseada no romance de Sir Conan Doyle – outro renomado escritor da ficção cientifica, britânico e também responsável por várias obras do detetive Sherlock Holmes – onde novamente criaturas gigantes tem papel de destaque, ainda que desta vez sejam dinossauros propriamente ditos. Nos dois casos, tanto em Viagem ao Centro da Terra quanto em O Mundo Perdido, é indiscutível o fascínio por tais animais extintos que continuam a habitar nossa imaginação. Mas nem tudo é pura fantasia, e não faltam exemplos de criaturas mais factíveis, como em Tubarão (1975), de Steven Spielberg, no qual o tubarão branco do título aterrorizava a audiência através de puro suspense. E claro, eventualmente temos a união dos dois tipos que resultam em histórias com Megalodontes: tubarões gigantes extintos há mais de 2 milhões de anos – como é o caso de Megatubarão.

Dirigido por Jon Turteltaub (mesmo diretor de “A Lenda do Tesouro Perdido” de 2004 e 2007, e Fenomeno de 1996) o longa-metragem apresenta ao espectador uma avançada estação de pesquisa submarina no meio do oceano pacífico, onde um grupo de cientistas e de especialistas desbravam as profundezas do mar. Em sua missão um submarino da equipe acaba se acidentando devido ao ataque de uma criatura desconhecida e a única solução para o resgate é recrutar o profissional Jonas Taylor (Jason Statham) que havia passado por uma situação semelhante apesar de desacreditado pela sociedade. Assim, o herói é obrigado a enfrentar alguns dos mais ameaçadores monstros que assolam a humanidade: o medo unido aos sentimentos de culpa, falta de confiança em si mesmo e o não reconhecimento por seus esforços.

Apesar das diferenças entre os membros da equipe, a mocinha Suyin (Bingbing Li) sai da zona de conforto de filha do chefe para mostrar seu valor a todo o momento chegando ao ponto de colocar sua vida em risco. Quando a equipe percebe que o tubarão gigante não está mais restrito às profundezas, se inicia uma corrida contra tempo pela sobrevivência a todo momento e para impedir que o monstro chegue à civilização habitada.

O time de personagens é bastante diversificado. Além do “herói fortão” temos uma gama de personalidades, gêneros e origens. Além de asiáticos de destaque e presença, fugindo do padrão de “apenas inteligentes”. E claro, não podemos deixar de citar a pequena Meiying (Shuya Sophia Cai) que esbanja fofura e esperteza aguçada em suas aparições. No geral, carisma é o que não falta no filme, pois mesmo personagens menores, que aparecem por poucos minutos, deixam suas marcas.


Os cenários e ambientações em sua maioria são grandes construções ou ambientes bastante amplos, o que dá oportunidade da criatura aparecer a qualquer momento sem dificuldade alguma, aumentando o suspense em enquadramentos abertos. Estes mesmos ambientes também mostram uma certa beleza que não podem deixar de ser apreciados quando há a união de oceano e tecnologia. Na paleta de cores, tons de cinza e azul são as cores mais recorrentes.

O filme consegue equilibrar com competência suspense, tensão, comédia, momentos tocantes e alguns de reflexão sobre a natureza humana, além de alguns sustos e situações inesperadas. E quando surgem momentos violentos eles não são pequenos! Afinal, a ameaça que o tubarão gigante representa é proporcional ao seu tamanho e poucas coisas conseguem ficar intactas no seu caminho.

Indiscutivelmente, há uma porção de filmes de tubarões e outros monstros. O que pode sim ser discutido é a qualidade destes. Muitos de baixo orçamento ou que ainda nem pretendem ser levados a sério. Neste mar de predadores Megatubarão é um filme de monstro e uma produção Hollywoodiana que surpreende. O cuidado com o roteiro para fugir do clichê e o alto valor da produção não são itens que são unidos e vistos com frequência para este tipo de filme. Em tempos de remakes, reboots, saturação de franquias conhecidas e o uso de celebridades, é muito válido voltar às raízes, onde criaturas gigantes eram mágicas pelo simples fato de estarem lá, seja na literatura, no cinema, ou simplesmente em nossa imaginação – ou pesadelos! O desenrolar da trama e o equilíbrio já mencionado entre o humor e tensão nos deixou surpresos, merecendo assim 4 cookies pelo produto final!

Por Ricardo Becker