Nasce uma Estrela é uma releitura de “A Star is Born” de 1976, e é a estreia da cantora Lady Gaga como atriz nos cinemas (que nos mostra um lado que não conhecíamos: maquiagem nada extravagante, cabelos em coloração natural) e de Bradley Cooper como diretor, além de protagonista. Existe também a versão de 1937 com a Janet Gaynor e a de 1953, que foi estrelada por Judy Garland, a Dorothy de “O Mágico de Oz” (1939) e, coincidentemente, a 3ª música da soundtrack física 2018, tema de Oz “Somewhere Over The Rainbow”.

1953 x 1976 x 2018

soundtrack física

O projeto que levou anos para sair contém canções originais, muitas compostas por Gaga, que fez questão de gravar tudo ao vivo, a pedido da própria Lady, que colocou como condição para aceitar o papel. O que inicialmente complicou um pouco para Cooper, que teve que aprender a tocar e a cantar. Posso afirmar que ambos fizeram um bom trabalho! Curiosidade: o papel de Ally era para ter sido estrelado por Beyonce, que no mesmo período de concepção do filme ficou grávida (após conferir o longa não consigo imaginar outra pessoa no papel que não seja a Gaga. Sorry, Bey!).

A história gira em torno de Jackson Maine (Bradley Cooper), que é um cantor country com vícios em álcool e drogas que se encanta com a voz de uma desconhecida, Ally (Lady Gaga). Ela aos poucos se torna mais reconhecida que Jack, que fica ofuscado. Mas, no meio do caminho, eles se tornam um casal. É uma sinopse simples, mas o filme tem um andamento crescente que prende você, mesmo quando somos deparados de forma clichê para o primeiro grande momento musical dos dois em palco. A trilha sonora é crescente e envolvente devido ao fato de terem sido filmados ao vivo. Sente-se uma grande paixão na interpretação, que com certeza prende o expectador, que passa a torcer pelos protagonistas. E o final é diferente do que se espera, arrancando algumas lagriminhas emocionadas e com o coração apertado.

Ainda não tive a oportunidade de conferir as versões antigas de “A Star is Born” para comparar detalhes e partes de roteiro, pois em determinados momentos do filme houveram aspectos da história da personagem que parecia dialogar com a própria Gaga, que inclusive a pouco tempo teve um documentário dedicado, disponível pela Netflix (Five Foot Two), no qual descobrimos muito como ela lida com as aparências, mensagens (artistas fora do clichê que têm realmente algo a dizer) e reposicionamento de sua própria marca. Ainda assim, sem conferir as versões clássicas de “A Star is Born”, não foi impossível relacionar com o documentário e possíveis críticas à indústria musical x vida pessoal. Assim como a própria Ally, que carrega algumas características que são transmitas pela própria Gaga no documentário: sensível, dedicada ao trabalho e a família.

Falando com um pouco mais de detalhes sobre o filme, a trama inicia com o pré show de Jackson Maine (Cooper) já dependente de drogas e álcool antes mesmo de subir ao palco. Ao finalizar o show, ele novamente bebe no carro e está em busca de mais uma garrafa quando se depara com um bar. Seguindo para a primeira aparição da protagonista, Ally (Gaga) quer trabalho (e está claramente infeliz) como garçonete. Após o término do expediente, ela segue para um bar que ocorrem shows de Drags, e Ally, se caracterizando como tal, canta uma música em francês, sendo bem neste bar que Jackson acaba entrando. Ele se encanta com a voz e performance de Ally e pede para conhecê-la sem a caracterização estilo Drag, pois ele quer ver como ela realmente é.


Eles saem para conversar e Ally canta um pouco de algo que estava compondo. Jackson se encanta, questionando o porque de ela não cantar as músicas que compõe, seguido de um convite para assistir ao seu show. Nesta cena, nos deparamos com as primeiras estrofes de “Shallow”, canção composta por Gaga e tema principal do filme. É uma ótima música! Confiram neste link.

E a partir daí eles se tornam um casal. Ally participa dos shows de Jackson, canta, toca piano, compõe e vai ganhando destaque até ser abordada por um produtor musical que a vê como potencial. Neste momento de ascensão de Ally, Jackson passa por desentendimentos e conhecemos um pouco mais da história do passado do personagem com a família. Neste quesito, observamos no próprio Jackson as repetições de padrões. Na psicologia, o termo é visto como uma “fórmula” para resolução de situações, como quando há um problema, de modo geral, em que as pessoas tendem a solucioná-lo da maneira com que fizeram da última vez ou que viram em seus pais, pois esta é a forma que consideram como certa. Não vou me alongar nos detalhes, pois acabarei dando spoilers do final, mas fica a reflexão para quem se identifica com a situação e convite a olhar dentro de si mesmo e perceber o que pode estar errado se algo não vai bem. E claro, resolver da melhor forma, senão o final pode não ser feliz.

Falando um pouco de figurino e maquiagem, a parte mais chamativa é como a magia dos cinemas tampou as tatuagens de Lady Gaga! Já estava no meio do filme quando me dei conta de as tatuagens mais aparentes da cantora não estavam lá.


Ally x Tattoos da Gaga

E é isso pessoal! Recomendo, e arrisco palpitar indicações ao Oscar nas categorias de ator, atriz e canção original. Mesmo para quem não é fã da cantora, vá assistir, pois o filme é recheado com boas músicas. Mas, se você é um Little Monster, melhor ainda, assistam mais de uma vez para prestigiar a parte musical, pois esta mulher é maravilhosa e não deixou absolutamente nada a desejar! Ela realmente nasceu para ser uma estrela, pois é válido comentar o quanto ela é engajada com a sua carreira e envolvida com todos os processos e detalhes de confecção de suas obras. Além de apoiar causas nobres, e ao mesmo tempo, superar uma recente doença e a enfrentar mil tipos de coisas que derrubariam qualquer pessoa com uma mente sem forças.

E claro, ela é humana, tem suas fraquezas, têm altos e baixos como qualquer pessoa normal, mas a forma com a qual ela lida os problemas é inspiradora e pode ser conferida em suas canções, no documentário da Netflix (o que acham de um post dedicado?) e em sua personagem em Nasce Uma Estrela. Não desistir dos sonhos e objetivos sem deixar de espalhar amor e respeito ao próximo também é uma mensagem captada pelo filme. Seja você mesmo e mantenha a sua essência, pois isso pode realmente fazer a diferença na vida de muitos ao seu redor trazendo uma grande transformação. (O que conversa com o primeiro episódio da 11ª Temporada de Doctor Who, cujo review vocês podem conferir no seguinte link).

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