Star Wars, Doctor Who e Senhor dos Anéis são alguns exemplos de franquias longevas que até hoje continuam em voga e seguem firmes em diversos tipos de mídia. De fato, o que não faltam são personagens e histórias que já contam com décadas de existência, mas que continuam a fascinar os fãs assim como cativar novos públicos a cada nova interação. Claro, alguns são indiscutivelmente mais famosos enquanto outros pouco difundidos continuam amados pelos seus fieis fãs. Hoje vamos falar de uma personagem clássica da cultura da animação japonesa que talvez não seja muito conhecido por aqui: Mazinger Z.

Ainda nos primórdios do mangá e anime a presença de robôs gigantes já era extremamente popular no Japão, contando com heróis metálicos como Astroboy (Tetsuwan Atomu, 1963), Gigantor (Tetsujin 28, 1963) e Giant Robo (1967) – robôs que salvavam o dia a cada aventura. Foi aí que em 1972 Go Nagai inovou apresentando um novo robô que, ao contrario de seus antecessores, era pilotado por um humano. Nascia Mazinger Z e o gênero de “Super Robô” – mais do que uma maquina, agora o robô era uma extensão do piloto e dependia da coragem e da força de vontade humana para funcionar. Notem que o nome do robô é a junção de Majin (demônio) e God (deus), ilustrando a neutralidade da maquina que só é do bem porque o piloto escolheu esse caminho.

No universo de Mazinger Z acompanhamos as aventuras de Koji Kabuto, jovem que herdou de seu avô cientista, num momento de extrema necessidade, um protótipo de robô super poderoso. No controle de Mazinger, Kabuto enfrenta o maligno Dr. Hell que pretende dominar o mundo com suas bestas mecânicas. Vale mencionar que nosso herói é dos mais certinhos mas sim um cabeça dura encrenqueiro pronto pra brigar por qualquer motivo!

Mazinger Z não tem a história mais profunda do mundo, nem se preocupa com reflexões existenciais ou coisa do tipo e tratasse mesmo é de um garoto comum que destrói monstros a cada episódio. Mas isso não constitui em si um problema e o mangá foi o maior sucesso, logo ganhando seu próprio anime na tv, ainda que de duração relativamente curta (para os padrões atuais), com somente 92 episódios. Logo nosso herói cedeu lugar ao seu sucessor, Great Mazinger (1974), continuando a aparecer como personagem secundário nas aventuras no novo robô bem como em mais uma série, UFO Robo Grendizer (1975).

A curta duração da série claramente não obscurecer a personagem, que continuou aparecendo na mídia japonesa de tempos em tempos até voltar com tudo em Mazinkaizer (2001), uma versão muito mais poderosa do robô original pronta para enfrentar desafios maiores! Eventualmente houveram reebots e versões alternativas do robô – Shin Mazinger Sougeki! Z Hen (2009), Mazinkaizer SKL (2010), etc – mas o clássico sempre volta a aparecer!

A relevância do robô na cultura japonesa é significativa, e temos como exemplo sua presença na forma de todo tipo de merchandising e brinquedos, bem como várias aparições em vários games como Super Robot Taisen. Ainda temos que citar Circulo de Fogo (2013) – o diretor Benício Del Toro declarou que Mazinger (muito popular no México) foi uma das inspirações – e sua continuação Circulo de Fogo: A Revolta (2018), confiram crítica aqui, carrega muitas referencias que não ficam claras se são de Mazinger Z ou apenas clichês do gênero, mostrando o quanto o robô icônico. Também existe uma estátua de Mazinger na Espanha.

Finalmente, para os fãs do super robô e demais interessados em conhece-lo, teremos a estreia do novo filme Mazinger Z Infinity nos dias 07 de Junho com exclusividade no Cinemark! A rede de cinemas lançou a pouco sessões especiais com filmes já lançados no japão chamado Cinemark – Anime Night. Confiram mais informações e futuras exibições no seguinte link.

A produção foi exibida nos cinemas japoneses no início do ano em comemoração aos 45 anos do anime, e conta com animação de ponta ainda mantendo um traço caricato que lembra o clássico dos anos 70 para as personagens humanas e um design atualizado para os robôs que são praticamente os mesmos apenas mais bonitos e em CG! Com toda certeza o Serial cookies estará lá conferindo e prestigiando a exibição. Como diria Koji Kabuto: Maziiiin Go!!!

Por: Ricardo Becker

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Ricardo Becker é formado em Tecnologia Eletrotécnica. Lê Monteiro Lobato, Julio Verne e
Sherlock Holmes, mas também Tio Patinhas, Mortadelo & Salaminho; Coleciona (mais do que
deveria) Lego e Transformers. Escuta Roxette e faz cosplay e arte usando as mais variadas
técnicas e materiais do mesmo modo que acredita na diversidade cultural e ideológica!