Acredita-se que o futuro do cinema esteja em imersões cada vez mais reais – e holográficas – dentro da obra. O objetivo não seria trazer o filme até o espectador, mas levá-lo para dentro da história. Projeto Gemini chega aos cinemas com a tecnologia certa para dar mais um passo nessa direção. Ao presenciar o embate de dois Will Smith, temos uma trama que não é das mais surpreendentes, mas um visual que é um espetáculo!

Henry Brogan (Will Smith) é um atirador de elite do mais alto nível, o sonho da indústria bélica militar. Quando decide se aposentar, descobre que o governo esteve mentindo para ele e que agora é alvo de outro habilidoso agente: seu clone 20 anos mais jovem. Temos então alguns pontos que debatem sobre a ética da clonagem e da edição do DNA humano, da parte psicológica de confrontar a si mesmo, e sobre como uma perspectiva pode ser moldada a partir de conceitos da dualidade e da escassez. Uma trama interessante, mas que já vimos muitas outras vezes. No entanto, a sacada do filme não é necessariamente sua trama, mas como ela é mostrada.

O cinema tradicional possui uma projeção de 24 quadros por segundo, enquanto a tecnologia 3D+ traz 60 quadros por segundo. Isso significa que o filme terá uma nitidez incrível, com mais profundidade e captação de detalhes em cenas de movimento. Quando colocamos o óculos 3D, a imagem não salta da tela. Você é levado até ela! A textura da imagem muda, causando até um estranhamento nos primeiros minutos do filme, mas depois que o cérebro se acostuma, vamos para uma imersão inédita.

A segunda parte da tecnologia envolvida no projeto é da criação total por computação de Junior, a versão de 23 anos de Will Smith. Seus movimentos e expressões provêm de um grande banco de dados das atuações antigas de Smith. Embora ainda seja possível notar a computação no personagem, principalmente em cenas sem muita ação, é admirável o desenvolvimento dessa inovação.  

Considerando que o 3D+ pode expor de melhor suas qualidades em cenas de ação, com lutas e elementos como fogo e água, faz sentido que a trama escolhida para a apresentação dessa tecnologia tenha sido Projeto Gemini. O roteiro não foge do comum, mas ele proporciona a experiência desejada dessa nova maneira de fazer cinema. O diretor Ang Lee vem trabalhando com novos processos cinematográficos em sua carreira, como em O Tigre e o Dragão e As Aventuras de Pi, e sua nova obra com certeza é uma vitória dentro desse prisma. Esse definitivamente é um filme para vivenciar no cinema, em uma sala 3D. Assisti-lo em casa não terá o mesmo impacto.

Pelas inovações tecnológicas que Projeto Gemini traz, proporcionando uma nova geração filmes, damos a nota de 4 cookies pela produção.