Nós, como cidadãos do planeta, nos encontramos presos em uma roda difícil de parar. Uma roda de sofrimento, violência, raiva e julgamento. Nossa bagagem histórica é muito pesada, e é apenas com muita paciência, compreensão e amor que poderemos soltar a roda. Perceba que não precisamos quebrar a roda. Precisamos apenas soltá-la.

No documentário “Alô, privilégio? É a Chelsea”, a comediante norte-americana Chelsea Handler expõe sua vulnerabilidade ao compreender que ela faz parte do chamado “privilégio branco”, e vai em busca de mais informações e maneiras de lidar com essa disparidade. Durante uma hora, acompanhamos a caminhada de Chelsea, que envolve a conversa com diversos indivíduos e instituições. O que chama a atenção em muitos dos argumentos apresentados é a raiva contra o outro e/ou o ataque ao outro como forma de defesa. Há inúmeros fatos e nuances que comprovam cada fala, cada uma protegendo sua visão e maneira de viver. O documentário é apenas um exemplo da confusão de ideias que se formam quando o ego lidera, quando nossa lógica se baseia em falsas premissas da máscara de quem achamos que somos (gênero, raça, religião, profissão). 

Precisamos entender que todas as pessoas possuem suas próprias batalhas e sofrimentos – muitas que podem ser agravadas pelo sistema de desigualdade. Todos fizeram o seu melhor e o necessário até esse ponto, mas chegamos em um momento que as armas do ego precisam ser abaixadas para que possamos prosperar como um TODO.

Todos já fomos agredidos, e todos já fomos agressores – de uma forma ou outra. Apontar dedos não leva a lugar nenhum. O que precisamos fazer é honrar e aprender com o passado, soltar as crenças e lutas de nossos antepassados e começar a abraçar todos como membros de uma mesma família. Não precisamos usar a violência para quebrar a roda, mas apenas utilizar o discernimento e amor para retirar a energia que dá força para ela girar. Assim, ela cairá sozinha.

Comece por onde puder e atue na sua área de alcance. Aprenda a lidar com a vulnerabilidade e não fuja de conversas difíceis. Se livre dos rótulos e das verdades absolutas. Pequenos passos reverberam em grandes escalas. Cooperação e união são as forças mais poderosas.

Coluna em parceria com o Sementes das Estrelas