Por: Ricardo Becker
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Godzilla: Planet of the Monsters, estreou em 17 de Novembro de 2017 nos cinemas japoneses e exatamente três meses depois faz sua estreia internacional por meio do serviço de streaming NETFLIX, neste caso apenas como Godzilla. A produção é nada menos que o trigésimo longa metragem da (produtora japonesa) TOHO estrelando o “rei dos monstros”. Na ativa desde 1954, o icônico monstro gigante já foi vilão e herói muitas vezes atuando como um produto do seu tempo: Ainda que originalmente uma alegoria dos terrores nucleares, já protagonizou momentos dos mais ridículos em nome do humor ou da falta de orçamento da época. E num exemplo de versatilidade, agora a nova empreitada é em forma de anime.

Desta vez a história gira em torno do que resta da humanidade, já que Godzilla aparentemente dizimou o planeta – mesmo com duas raças alienígenas vindo dar apoio na luta contra o monstro. A saída foi evacuar a Terra, mas a falta de recursos e distancia de um novo planeta habitável fez com que recolonizar o planeta natal fosse o mais viável – oque significa ter que enfrentar Godzilla novamente. A volta pra casa se faz 20 mil anos no futuro, e a Terra se tornou um local diferente… Com o monstro atômico ainda reinando, para desespero de todos!

Já no começo, durante o flashback dos colonizadores, temos uma história digna dos filmes antigos de (monstros gigantes) Kaiju, com alienígenas trazendo mechagodzillas e oferecendo a salvação em troca de asilo ou para catequizar uma nova religião e todo absurdo do gênero… E só. A partir daí é mais de uma hora de conversas entre militares que querem porque querem destruir Godzilla, e não é como se as personagens fossem carismáticas: Temos aqui um Depois da Terra (2013) com Will Smith e seu filho como protagonistas.

A animação é competente e bonita, mas tudo que faz é mostrar nave espacial, militares e selva. De fato, varias situações que seriam realmente interessantes no roteiro são apenas descritas durante as conversas das personagens: “Para que fazer uma animação de Godzilla lutando, levando bomba e se regenerando? Basta colocar uns militares falando que ele é capaz disso e acabou o problema”, devem ter pensando os produtores. Eventualmente Godzilla aparece e isso é legal. Mal dá tempo de ficar feliz e o filme acaba… Será?

Acontece que este é apenas o primeiro filme de uma trilogia, com o segundo capítulo a estrear em maio no Japão. A NETFLIX logo de cara transformou os filmes em série e considera a produção como “primeira parte” – mais ou menos como já tinha feito com o altamente recomendado Cyborg 009: Call of Justice (2016) – ironicamente uma co-produção da TOHO – onde dividiu os três filmes em doze episódios.


Godzilla Parte 1 demanda muito amor e suspensão de descrença para ser apreciado: Amor não pelo monstro japonês, que mal tem tempo de brilhar na produção, mas por animação japonesa – que deve ser o maior atrativo, além de apreciar o estilo de roteiro que passa a maior parte do tempo em explicações do que em ações. Com sorte o próximo filme terá um roteiro com mais justificativas, o que faz esse primeiro mais como um prologo para uma história que precisa ser mais bem desenvolvida.

Apesar de suas falhas, temos que reconhecer que a parte musical está excelente, em sintonia com os filmes antigos da franquia. E acima de tudo é revolucionário o lançamento de um Godzilla (japonês) mundialmente! Pois afinal o Brazil não chegou a receber o filme anterior, Godzilla Resurgence (2016). A direção é de Hiroyuki Seshita, que também é responsável pela direção de outras produções do NETFLIX como BLAME! & Knigts of Sidonia.

2 cookies pela obra.

 

 

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Ricardo Becker é formado em Tecnologia Eletrotécnica. Lê Monteiro Lobato, Julio Verne e
Sherlock Holmes, mas também Tio Patinhas, Mortadelo & Salaminho; Coleciona (mais do que
deveria) Lego e Transformers. Escuta Roxette e faz cosplay e arte usando as mais variadas
técnicas e materiais do mesmo modo que acredita na diversidade cultural e ideológica!